segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O Bicho Papão

Jamais chame uma criança de covarde por ela ter medo de fazer isso ou aquilo. A criança não merece sofrer antecipadamente por erros que nós, adultos, cometemos por medo de tomar certas decisões. A criança deve simplesmente se divertir. Conversar sobre o temido “bicho papão” é sempre a melhor opção. Ameaçá-la com isso só a deixará com tormentos desde muito cedo, quando a época é de brincar e brincar e brincar. Mais tarde, veremos que o tal do “bicho papão” existe. Mas não de forma folclórica e fantasmagórica. O tal do bicho é nosso medo mais profundo, nossa maior covardia e fracassos acumulados. É aquilo que sonhamos e almejamos para nossas melancólicas vidas e não corremos atrás para conquistar. O bicho papão (sem aspas) é a face oculta de nós mesmos. Tentamos escondê-la perante aos outros, mas sabemos bem que não dormiremos sem contemplá-la. E desejaremos, com todas as forças, voltar a ser uma criança e imaginar que isso não passa de um monstrinho embaixo da cama ou dentro do armário. Mas já será tarde.

Sonhos

Quando pequeno, eu sonhava em ser um importante espião, um agente secreto da Interpol ou algo parecido. Fiz até carteirinha como se fosse um distintivo, uma identificação de quem eu era. Tinha foto e tudo mais. Mal sabia que agentes secretos e espiões não podem ter certos documentos que os identifiquem. Mas eu vivia aquele sonho em sua plenitude. Mesmo sendo visto como infantil, bobo ou maluco, quem sabe. Acabei me frustrando pelo riso alheio. É o que acontece quando você expõe seus sonhos. As pessoas não entendem e por isso o menosprezam. O fazem crer que sonhar é errado, é coisa de criança. Aliás, quando dizem que sonhar é coisa de criança é porque só uma criança consegue viver, de forma tão pura e intensa, um sonho. A criança não está preocupada se a sua nave irá de fato levá-la à Lua. Ela já está na Lua, pensando em voltar um dia.