domingo, 18 de abril de 2010

A resposta perfeita!


Semana passada tive uma conversa informal com um profissional cheio de histórias bacanas. Seu nome é Carlos e ele trabalha varrendo ruas há 20 anos. Uma pessoa extremamente simpática, culta e muito bem articulada, contrariando uma boa parte dos ignorantes que menosprezam esta profissão.
Sinceramente, não entendo porque menosprezam ou pensam que são seus faxineiros particulares, limpando vossas merdas. Deixar a cidade limpa é uma tarefa complexa. São muitos porcos pra poucos lixeiros.
Dentre outras coisas, Carlos me contou que certa vez estava varrendo uma rua e uma mulher jogou um copo no chão, perto de onde ele estava. Ele ficou indignado com aquela demonstração habitual da cidadania brasileira. Mas, como se não bastasse, a digníssima ainda soltou a pérola:
"Se não tiver lixo na rua pra vocês limparem, quantos de vocês perderão seus empregos?"
Que infeliz declaração!
Eis que Carlos, respondeu à altura:
"A senhora está certíssima. É por isso que eu sou totalmente a favor de que a polícia mate cada vez mais. Afinal de contas, como sobreviverão os pobres dos coveiros, se não tiver mortos, né?"
Não preciso nem comentar que achei essa a melhor resposta que ele poderia ter dado. Ele seguiu a mesma linha de raciocínio doente da mulher, mas foi perfeito!!! Isso porque os lixeiros são ignorantes pra maioria das pessoas, é claro.
Com licença, mas eu preciso ir.
Vou quebrar as paredes do meu quarto para que o pedreiro não fique sem serviço. Vou rasgar minhas roupas para que as costureiras possam sobreviver. E vou aproveitar o embalo para destruir minha fiação elétrica também. Afinal como poderão trabalhar os pobres dos eletricistas...
Melhor destruir o mundo e torcer pra Deus consertar...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Relato


" Tenho algo a dizer. Dormi muitas vezes no chão. Eu sei que dizem que dormir no chão faz bem pra coluna. É verdade. Só esqueceram de dizer que não faz bem ao coração. Eu era tratado como um animal. Por diversas vezes, fui acordado com discretos chutes, do tipo: "Você não está vendo que está no caminho?" Situação triste, principalmente porque sempre achei estar em um lugar acolhedor. Fui bobo da corte para muitas pessoas, inclusive para os que se diziam meus amigos. Com certeza era carência, era falta de opção, sei lá o que era. Sei que isso também não fazia bem ao coração. Servi de escada para o riso de todos. Por mais que isso faça parte de um passado distante, tem momentos em que parece tão vivo que causa dor. " Anônimo.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Transtorno X Sofrimento


É, a chuva de segunda, dia 5 de Abril de 2010, veio para castigar a população do Rio. A natureza, há muito tempo atrás, cedeu seu corpo e sua alma para que nós, seres humanos, construíssemos um mundo melhor. Nossa racionalidade limitada, nossa ganância, pretensão e maldade nos deixaram em uma posição nada confortável. Usamos, abusamos, destruímos. Ela, a natureza, voltou para cobrar tudo. Natureza cruel? Claro que não. Ela é justa, é implacável.

Crueldade é outra coisa. Crueldade é o Prefeito do Rio dizer do alto de sua pose que a Prefeitura dará R$ 400,00 mensais para aquelas famílias que perderam TUDO, pois assim terão sua dignidade de volta. Dignidade de volta? Acreditem, o infeliz acha que um dia a vida dessas pessoas foi digna. Isso é revoltante, isso sim é cruel.

Crueldade, com uma pitada de babaquice, é o que disse certo apresentador de certa emissora, no último domingo. Ele disse que não foram somente as pessoas da classe mais baixa que sofreram com as chuvas, que muitos artistas também sofreram. Vou citar o sofrimento desta pobre apresentadora: a coitada teve que apertar um botão de seu carro importado para elevá-lo e assim poder passar nos alagamentos. Eu me comovi com tamanho sofrimento. Foi uma cena forte tal depoimento.

Uma atriz também me comoveu. Ela disse que teve que entrar com seu carro na contra mão de uma rua para poder chegar ao trabalho. Eu fiquei em estado de choque com esse imenso sofrimento também. E me comovi de novo.

Santa paciência né! Transtorno é uma coisa. Sofrimento é outra!
Há momentos em que é melhor ficar calado, do que abrir a boca e falar certas asneiras.
Mas, cada um com seu sofrimento, não é mesmo?